SERTÃO, O RESGATE
Eu me chamo Mané Inácio, moro lá no Jacu
No poeta pena pato, pena pato peru
Sou nambu de capoeira, também sou tijuaçu
Perna comprida é carão, fundo baixo é cururu...
Lá se ia o Inácio, caminho escuro como breu, dando asas às dúvidas: " Será que a Rosinha vai aceitar meu pedido de casamento ? E o pai dela, famoso por sua valentia, vai falar comigo ? Mas não podia voltar atrás, pois o coronel estava esperando a resposta.....
Apressou o galope, tinha que voltar no cagar dos pintos, ligeiro, avexado. Era chegar, falar o assunto e voltar.
- Ô de casa ! gritou ele, já chegando.
_ Ô de fora, quem é ?
- Sou o Inácio, lá das terras do coronel Altamiro. Vim fazer uma proposta.
Apolinário acendeu uma lamparina e foi até ao alpendre.
- Que proposta, Nego Inácio ?
- Vim pedir a mão da Rosinha em casamento....
Alvoroço geral dentro da casa, deu pra ver que acenderam mais um lampião. Inácio temeu o pior, talvez um tiro. Sentiu que fora muito atrevido. Mas não se arrependeu nem um tiquinho, não corria o medo nas suas veias.
- Volte que depois mando a resposta ! Gritou, meio zangado, o Apolinário, já apagando a lamparina.
Inácio, deu meia volta e sumiu do jeito que tinha vindo. Tinha que apressar o galope.
Enquanto isso, o coronel Altamiro pediu pra ninguém ir dormir até que o Nego Inácio voltasse com a resposta...

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