Pular para o conteúdo principal

JUVENTUDE E MATURIDADE



Com muito orgulho, reedito aqui a brilhante matéria que meu amigo de fé, meu irmão camarada, Paulo Saldanha escreveu na coluna do jornal Gente de Opinião. Antes, a biografia dessa bela figura humana:



PAULO CORDEIRO SALDANHA: Nasceu em 1946, em Guajará–Mirim, Rondônia. É Advogado e hoteleiro. Foi Presidente de Bancos Estaduais de Rondônia e Roraima, Diretor do Banco da Amazônia e Diretor–Geral do Tribunal Regional do Trabalho da 14º Região. Cronista e Romancista. É Membro Fundador da Academia Guajaramirense de Letras-AGL e Membro Efetivo da Academia de Letras de Rondônia-ACLER.



JUVENTUDE E MATURIDADE


Roberto Carlos é o exemplo de ídolo que se eterniza! Caminhada exemplar, jamais nos decepcionou! Como autor musical e Poeta tem uma sensibilidade que canta a vida e o amor de maneira superior, encantando.
Outros nos deixaram bem antes, agindo de maneira, às vezes, equivocadas, controversas, contraditórias... nem por isso perderam o valor artístico que alcançaram. Ouvi-los, mesmo assim, sempre vale à pena.
Afinal, o ídolo é a aspiração que transferimos para o mito que inconscientemente desejaríamos ser. É a identificação que nutrimos em cima do astro que não pudemos fazer nascer em nós mesmos. É a personificação do vencedor, principalmente nas artes e nos esportes, que deixamos de nos auto eleger. É a projeção num outro do que aspiraríamos para nós mesmos, em vão.
Na política meus ídolos morreram e, mercê de tanto triunfo das iniqüidades, nenhum novo apareceu...
Há ídolos que possuem seus próprios ídolos: Pelé elegeu Zizinho como paradigma.
Podem ser a tradução do que desejaríamos nos tornar como paradigmas. É uma espécie de elo entre o que idealizamos como símbolo e o que só podemos alcançar como atores no mundo.
Em 1959, com treze anos, como estudante do Colégio Dom Bosco, em Porto Velho, tendo como companheiros, entre outros, o João de Deus, João Matny, Marineu, Otomar Mariúba, Lucio Guzman, Pedro Struthos, Leonardo, Aldenir Courinos, Lacerdinha, Pelé, Eduardo Lima, o Dudu, ficaram nas minhas lembranças a inconsciente disputa pelas melhores notas entre nós, e, bem nítida, a música Balada Triste, que às 19 horas, o Cine Lacerda fazia tocar no alto falante, diariamente. Passou a ser uma das suas marcas para mim.
É evidente que Dom João Costa, os Padres Ângelo Spadari, Chiquinho, Silvio Bianchi, Miguel, Evaristo Afonso, Romano sempre transitam por minhas recordações. Mas a Balada Triste, interpretação do saudoso Agostinho dos Santos vai permeando essas nostalgias.
Teria sido o Agostinho dos Santos o primeiro cantor a se revelar como ídolo para mim? Não poderia precisar porquanto, por herança familiar, vejo os rostos de Silvio Caldas, Nelson Gonçalves, Alcides Gerardi, Orlando Silva, Dalva de Oliveira, Nora Ney a retratar muito bem as saudades musicais que me abraçam por conta dessas recordações.
Interessante é que esses artistas só se apresentavam de terno, se homens, e de vestido longo, se mulheres, sinalizando um respeito intransferível ao seu público. Agora, alguns comparecem de camisetas e calça jeans, surradas, denunciando descaso, desinteresse para com aqueles que são os responsáveis pela compra de seus CDs e DVDs.
Há as honrosas exceções!
Todavia, com a chegada da Jovem Guarda, eis que Roberto Carlos pontifica, de maneira eloqüente, no topo original da minha geração de ídolos, ao lado de Chico Buarque, Martinha, Maria Bethania, Antônio Marcos, Wando, que vão desfilando no meu palco imaginário.
Acontece que esses ídolos, assim como nós, pobres viventes, foram envelhecendo. E os vejo com os sinais da idade, cabelos brancos, às vezes tingidos, olhos menos brilhantes, caminhar mais lento, mais sábios e compenetrados.
Se meus ídolos me conhecessem teriam a mesma visão, pois o menino que fui e o adolescente que os elegeu, também envelheceu. Será que envelhecer é reprovar a ausência de letras bem feitas, diferentes daquelas que comoviam a minha geração? – A Banda, Roda Viva, Para Não Dizer Que Não falei De Flores, Carolina,O Meu Amor, Namoradinha de um amigo meu, Eu estou apaixonado por você, como é grande o meu amor por você, Cavalgada, Fogo e Paixão, Moça, Eu Daria A Minha Vida, Aqui, Nossa Canção, Eu Te Amo Mesmo Assim, Como Vai Você, Sonhos de Um Palhaço, Bom Dia, Tristeza, etc, etc.
Na verdade, vamos sem nos dar conta, cada um no seu “hemisfério”, em face daqueles desconhecerem a nossa existência, deixando devagar a juventude, ingressando na maturidade, acompanhando-os de longe ou de perto, nos emocionando com novas ou antigas interpretações.
E é tão boa a observação de que alguns deles continuam simples, valorizando-nos como peças importantes na sua trajetória, ainda humildes, apesar do sucesso alcançado.
Como o tempo voa! Mas vale a luta em favor da renúncia a não acomodação. Que a idade transforme a cadência dos nossos passos, em nome da juventude que se esvai, porém, com a maturidade batendo nas nossas portas, invertamos a máxima de “O Contraste” do Padre Antônio Tomaz que nos induz a crer que “Quando partimos, no vigor dos anos, Da vida pela estrada florescente, As esperanças vão conosco à frente, E vão ficando atrás os desenganos”.
Ângelus Silésius, místico cristão, filósofo, médico, poeta e juristanos alerta para o fato de “que temos dois olhos, cada um deles vendo mundos diferentes: 'Temos dois olhos. Com um, vemos as coisas do tempo, efêmeras, que desaparecem. Com o outro, vemos as coisas da alma, eternas, que permanecem”.
Que a juventude perdida dê espaços para olharmos com os dois olhos, no tempo da maturidade, enxergando que o envelhecimento não cansa, muito menos faz a vida parar, porque “tudo vale à pena, se a alma não é pequena”!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O MUNDO AGONIZA !

Ruas vazias, cidades desertas Todos em suas casas Aeroportos sem movimento Para começar meu texto, utilizo-me da música do Raul Seixas " O Dia em que a Terra Parou ", lançado pela gravadora WEA,  em 1977: Essa noite eu tive um sonho De sonhador Maluco que sou, eu sonhei Com o dia em que a Terra parou Com o dia em que a Terra parou Foi assim No dia em que todas as pessoas Do planeta inteiro Resolveram que ninguém ia sair de casa Como que se fosse combinado em todo O planeta Naquele dia, ninguém saiu de casa, ninguém ninguém O empregado não saiu pro seu trabalho Pois sabia que o patrão também não tava lá Dona de casa não saiu pra comprar pão Pois sabia que o padeiro também não tava lá E o guarda não saiu para prender Pois sabia que o ladrão, também não tava lá E o ladrão não saiu para roubar Pois sabia que não ia ter onde gastar No dia em que a Terra parou (êê) No dia em que a Terra parou (ôô) No dia em que a Terra parou (ôô) No dia em que a Terra parou ...

QUESTÃO E RESPOSTA ILÓGICAS...

QUESTÃO ILÓGICA O Direito, por não ser ciência exata. suporta e acata todo o tipo de interpretação. Mas , no caso de infanticídio, e ao olhar mais atento, extrapola o raciocínio lógico... Vejamos uma questão aplicada no XVI exame da OAB, em 2015 : Paloma, sob o efeito do estado puerperal, logo após o parto, durante a madrugada, vai até o berçário onde acredita encontrar-se seu filho recém-nascido e o sufoca até a morte, retornando ao local de origem, sem ser notada. No dia s eguinte, foi descoberta a morte da criança e, pelo circuito inter do hospital, é verificado que Paloma foi autora do crime. Todavia, constatou-se que a criança morta não era seu filho, que se encontrava no berçario ao lado, tendo ela se equivocado quanto à vítima desejada. Diante desse quadro, Paloma deverá responder pelo crime de : a ) - homicídio culposo. b ) - homicídio doloso simples. c) - infanticídio. d ) - homicídio doloso qualificado DE ACORDO COM O GABARITO, A RESPOSTA CORRETA É A LETRA  C - Infanticí...

O MAIOR ERRO JUDICIÁRIO DA HISTÓRIA

Um dos casos mais emblemáticos e mais relevantes noticiado pela história foi, sem dúvida, o  julgamento  de Jesus Cristo, personagem universalmente conhecido. Porém, sua prisão, julgamento e condenação foram permeados de ilegalidades, nulidades e ofensas aos basilares princípios do Direito, verdadeiro assassinato pelo poder estatal. A base jurídica do povo hebreu era o Torah e a Misnah. Os juízes aplicadores do direito compunham o Sinédrio. Na época, o Governador era Pôncio Pilatos, o que possuía o chamado  ius gladii , ou seja, o poder da vida e da morte. Jesus passou por dois julgamentos: um religioso, perante o Sinédrio, e outro político, diante de Pilatos. As acusações políticas eram: sedição, declarar-se rei e incitar o povo a não pagar impostos a César. O Sinédrio não tinha o poder para decretar a pena capital. Por isso, Jesus foi acusado de ter instigado o povo à revolta (sedição), incitando-o a não pagar tributos a Cesar e de ter se proclamado rei ...